No caso aqui apresentado, temos uma Ana ansiosa com a aproximação do exame de condução. A colega Susana complementa a apresentação com soluções baseadas na neurociência e na psicologia cognitiva para mitigar o problema da Ana.
Confesso que me revejo nisto, pois por mais que eu soubesse o código de trás para a frente e da frente para trás, o ser avaliado presencialmente por outrem que nem conhecemos, sufocou-me algumas vezes e fez-me claudicar. Só a necessidade me fez ter outra postura.
Mas reportando-nos ao caso de Ana, percebe-se que a sua ansiedade a pressionava e lhe bloqueava o desempenho e causava receio de falhar. O exame era percecionado como ameaça e consequentemente ativava o sistema nervoso simpático, disparando o cortisol e a adrenalina, desligando temporariamente o córtex pré-central que seria necessário estar operacional para uma condução segura. O seu medo gerava pensamento de incapacidade, aumentando a tensão, e bloqueando o desempenho na condução.
Para além da micro-ação proposta pela colega, de respiração controlada de diálogo interno positivo, a Ana pode adotar uma respiração diafragmática que ajuda a ativar o sistema parassimpático, emitindo ao cérebro sinais químicos de que “está tudo bem”, e baixando o ritmo dos batimentos cardíacos. Poderia ainda usar a técnica de Grounding, fazendo por exemplo o seguinte, antes de entrar no carro, identificar mentalmente: 5 coisas que conseguisse ver à sua volta;4 coisas que pudesse tocar; 3 coisas que conseguisse ouvir; 2 coisas que conseguisse cheirar; 1 coisa que pudesse provar. Tudo isso captaria o cérebro tirando-o de pensar num "futuro catastrófico".
Outra solução passaria por reestruturar o pensamento, relativizando ou descastrofizando a situação, e ainda poderia a Ana poderia fazer como que uma visualização positiva de todo o processo com sucesso e repensar nisso até ao dia do exame de condução.
Também o instutor poderia ajudar com uma simulação de exame numa das suas aulas de condução, e incitá-la ao foco em micro-tarefas no aqui e agora, sem pensar mais à frente.
Quanto aos indicadores de sucesso que a Susana aqui apresentou, são exatamente os mesmos que eu referiria neste caso em concreto.
Se outras “Anas” conhecessem estas estratégias, também elas teriam passado à 1.ª no exame de condução…
Por: Maria Mendes