Neste 1.º Fórum optei pelo caso do pai Carlos e do filho de 10 anos.
A cultura defendida pelo pai representa a filosofia de que "mais é melhor", contudo as neurociências contrapõem mesmo ensinando-nos algo mais acerca dos nossos difrentes ritmos biológicos e cognitivos de aprendizagem.
Sucedido: O pai Carlos sujeitou o seu filho de 10 anos e aluno do 5.º ano a rotina excessiva e rigida que acontecia imediatamente após um dia inteiro de escola até às 17 horas, e que o pai prolongava até às 21 horas. Além das obrigações escolares, o filho tinha assim outras extracurriculares, desde fichas, a leitura, projeto de ciências, desporto e piano, ou seja toda uma panóplia díspar depois de um dia já por si diverso nas matérias da escola.
Envolvidos: - O filho, aluno do 5.º ano, que ainda agora terminara um ciclo de estudos e se encontrava num novo ciclo tão distinto do anterior, e já estava num ritmo desenfreado de multitarefas, não tendo sequer tempo para pausas nem capacidade de autoregulação física e mental para tanta solicitação/exigência parental diária. - O pai Carlos, que impulsionou tudo isto, talvez movido pelo receio de falta de oportunidades no futuro do seu filho, e crendo que estar sempre muito ocupado seria sinónimo de rigor e sucesso.
Sinais evidentes de sobrecarga cognitiva e emocional identificados: frequentes dores de cabeça, sem pausas para descansar.
Sinais emocionais e comportamentais: Irritabilidade, exaustão e desinteresse por brincar.
Sinais neurocognitivos: memória sempre diariamente sobrecarregada, sem tempo para espaços vazios e pausas para repouso, não sendo assim possível consolidar as aprendizagens, e certamente não terá um descanso regenerador de que necessita. Perante isto, o menino encontra-se como que em estado de sobrevivência funcional, em vez de desenvolvimento pleno e saudável.
Conclusão:
Enquanto mãe, compreendo que este pai tenha tido boas intenções, preparando o filho para poder optar por um futuro melhor num universo cada vez mais competitivo e exigente como é o mercado laboral, daí adotar uma política do "quanto mais, melhor", contudo isso não dava lugar a pausas, a criança não descansava entre atividades e parecia ser um maratonista de tarefas.
Requerer de mais de um filho, pode aparentemente ser para o tentar ajudar a preparar-se para um futuro promissor, porém ao descurar o seu descanso físico e mental, está a comprometer o seu bem-estar geral, a sua capacidade de aprender e compreender, e a comprometer a sua capacidade criativa. Logo neste caso concreto, os mais estudos disto e daquilo pode tornar-se no menos de saúde em geral e até menos em predisposição ou capacidade para consolidar o tanto que o pai tentou que ele aprendesse.
Por: Maria Mendes