Quando a exigência escolar ultrapassa a capacidade de aprendizagem

Quando a exigência escolar ultrapassa a capacidade de aprendizagem

por Miliza Rodrigues -
Número de respostas: 2

No contexto escolar, é possível observar alunos que, ao longo do dia, demonstram sinais de cansaço, irritabilidade, falta de concentração e desmotivação perante as atividades propostas.Uma situação que considero particularmente preocupante é a dos alunos que, depois de várias horas de aulas, continuam sujeitos a explicações, trabalhos de casa e atividades extracurriculares, ficando com pouco tempo para descansar, brincar ou simplesmente não fazer nada.Do ponto de vista das neurociências, esta situação merece atenção, uma vez que a sobrecarga cognitiva e o stress prolongado podem comprometer a atenção, a memória de trabalho e a consolidação das aprendizagens. É igualmente preocupante que estes sinais sejam interpretados como falta de interesse, preguiça ou indisciplina, quando podem estar associados ao cansaço e ao excesso de exigências.Isto leva-me a questionar até que ponto estamos a respeitar os ritmos e as necessidades de desenvolvimento das nossas crianças e dos jovens, quando valorizamos mais a quantidade de tarefas e desconsideramos a qualidade da aprendizagem e o seu bem-estar.

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Em resposta a 'Miliza Rodrigues'

Re: Quando a exigência escolar ultrapassa a capacidade de aprendizagem

por Maria Mendes -
Cara colega Mizia, de facto a memória sempre ocupada leva a que mais tarde ou mais cedo sejam registados sinais de irritabilidade, esgotamento, stress exacerbado, desmotivação e falta de foco. As crianças de hoje já não têm tanto tempo para brincar como outrora, as solicitações são mais que muitas, e para estarem à altura dos desafios muitos dos pais ainda lhes acrescentam um sem número de tarefas escolares ou atividades extracurriculares após um dia de escola. Contudo, sabemos que aprender mais não é o mesmo que aprender durante mais tempo.
Muitos educadores insitem em sobrecarregar a agenda dos seus filhos e esquecem que o cérebro dessas crianças ou jovens ainda está em desenvolvimento e precisa de pausas para poder ter descanso reparador.
Brincar e descansar constituem necessidades nurobiológicas e direitos essenciais e não são indicadores de preguiça e nem de desinteresse. Na perspectiva neurocientífica é necessário respeitar tempo de pausa e lazer para que haja eficiência cognitiva, saúde física, mental e emocional, e isto se se quiser alcançar sucesso educativo, logo em vez da quantidade de propostas de aprendizagem, devemos enquanto pais apostar na qualidade destas, pois só assim aprender pode acontecer de modo salutar.

Por: Maria Mendes

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