1. Não me consigo recordar de um caso específico, mas o elemento que retenho das aulas mais memoráveis que vivi é a paixão do professor no que estava a transmitir. Creio que este elemento é fulcral na facilitação do conhecimento. Muitos fatores influem no que é uma grande aula, desde o potencial de interesse do tema que se está a abordar, a autonomia e maturidade dos alunos, o carisma do professor, a relação professor-alunos, a hora do dia, o clima do dia, as condições da sala, etc. No entanto, ter um professor que se transforma e transforma o ensino numa autêntica performance memorável, aproveitando as suas qualidades de orador, é algo que sempre me impressionou e teve impacto em mim.
2. Uma vez dei formação a professores do ensino básico e secundário. O formato era o de uma aula laboratorial, dividida em vários grupos, em que experimentávamos diferentes protocolos de experiências simples a adoptar nas suas salas de aula. O objetivo era aproveitar a flexibilidade curricular de que gozavam para fazer um bypass ao longo processo de transição do conhecimento para os manuais escolares e transmitir informação mais atualizada e novo conhecimento para os jovens alunos sobre a forma de atividades "mãos na massa". Os professores eram todos da mesma área e estavam mais-ou-menso habituados às lides laboratoriais, portanto foi um ambiente descontraído, mas expectante dada o desconhecimento do que seria o protocolo. As atividades hands-on eram a forma como se tentariam transmitir os conhecimentos.
A aprendizagem decorria sobretudo na experimentação do protocolo e na interação entre os alunos, quer na fase do trabalho colaborativo da montagem, quer na análise e discussão dos resultados.
3. Já fui professor de coro e era sempre muito complicado pôr crianças de cursos artísticos do ensino articulado a cantar em coro, depois de estarem num formato completamente diferente da aula. O que corria mal era quase sempre a minha inaptidão e incapacidade para o cargo, e a minha falta de motivação para prosseguir com o trabalhar das peças obrigatórios. Acabava por ter de pôr 5 alunos em média fora da aula para conseguir ter algum controlo sobre a turma.