No meu contexto enquanto docente universitária, reconheço esta situação sobretudo nos estudantes que conciliam as aulas com trabalho, avaliações de várias unidades curriculares e diferentes projetos em simultâneo. Em determinados períodos do semestre, é visível que alguns chegam às aulas fisicamente presentes, mas com uma capacidade de atenção muito reduzida. Consultam frequentemente o telemóvel ou o computador, têm dificuldade em acompanhar explicações mais longas, mostram-se mais ansiosos perante novas tarefas e, por vezes, verbalizam que já não conseguem organizar tudo o que têm para fazer.
O que considero particularmente problemático é que podemos interpretar estes comportamentos como falta de interesse, motivação ou empenho, quando podem também refletir sobrecarga cognitiva e emocional. Exigimos concentração, participação, pensamento crítico e capacidade de aprender conteúdos novos precisamente num momento em que os estudantes estão a gerir múltiplas exigências e prazos em simultâneo.
Reconheço aqui um desalinhamento importante entre aquilo que esperamos do estudante e as condições que lhe proporcionamos para aprender. Se a atenção e a memória de trabalho são recursos limitados, importa questionar até que ponto a acumulação de tarefas e estímulos está a permitir uma aprendizagem efetiva ou apenas a levar alguns estudantes a tentar cumprir sucessivas exigências.