Situação escolhida - Ana

Situação escolhida - Ana

por Gabriela Maria Oliveira -
Número de respostas: 1

Na aula de Matemática, Ana, de 16 anos, não compreendeu a passagem entre dois passos de um novo conceito. Quando tentou levantar a mão para pedir esclarecimento, o professor já tinha continuado a explicação e a turma encontrava-se em silêncio. Ao observar que os colegas pareciam ter compreendido, Ana sentiu receio de demonstrar que não tinha percebido e acabou por baixar a mão.

O principal sinal de sobrecarga emocional é o medo de errar e de ser julgada pelos colegas, acompanhado por pensamentos como “devo ser a única que não percebe” e “vou parecer estúpida”. A pressão para acompanhar o ritmo da turma acabou por interferir com a sua participação.

A partir desse momento, Ana deixou de colocar dúvidas e passou a estar mais preocupada em não demonstrar que tinha dificuldades do que em compreender a matéria. Assim, existe um desalinhamento entre a exigência de que o aluno acompanhe, participe e aprenda e a necessidade de se sentir seguro para poder errar, perguntar e processar a informação.


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Em resposta a 'Gabriela Maria Oliveira'

Re: Situação escolhida - Ana

por Beatriz Jacob -
Esta situação mostra muito bem como uma dúvida aparentemente pequena pode deixar de ser apenas uma questão de compreensão da matéria e transformar-se numa preocupação com a forma como somos percecionados pelos outros. Parece-me especialmente relevante o momento em que a Ana passa a concentrar-se mais em esconder a dificuldade do que em aprender.

Um aspeto que me faz refletir é que, numa turma em silêncio, o professor pode facilmente interpretar a ausência de perguntas como sinal de compreensão, quando pode significar precisamente o contrário. Quantos alunos terão a mesma dúvida da Ana, mas permanecem igualmente em silêncio por acreditarem que são os únicos que não compreenderam? Criar condições em que a dúvida seja entendida como parte natural da aprendizagem parece-me, por isso, essencial para que participar não seja percecionado como um risco.

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