Na aula de Matemática, Ana, de 16 anos, não compreendeu a passagem entre dois passos de um novo conceito. Quando tentou levantar a mão para pedir esclarecimento, o professor já tinha continuado a explicação e a turma encontrava-se em silêncio. Ao observar que os colegas pareciam ter compreendido, Ana sentiu receio de demonstrar que não tinha percebido e acabou por baixar a mão.
O principal sinal de sobrecarga emocional é o medo de errar e de ser julgada pelos colegas, acompanhado por pensamentos como “devo ser a única que não percebe” e “vou parecer estúpida”. A pressão para acompanhar o ritmo da turma acabou por interferir com a sua participação.
A partir desse momento, Ana deixou de colocar dúvidas e passou a estar mais preocupada em não demonstrar que tinha dificuldades do que em compreender a matéria. Assim, existe um desalinhamento entre a exigência de que o aluno acompanhe, participe e aprenda e a necessidade de se sentir seguro para poder errar, perguntar e processar a informação.