A situação que trago relaciona-se com a sobrecarga assistencial e emocional em contextos de prestação de cuidados de saúde. Enquanto profissional de saúde, reconheço que o trabalho exige atenção, responsabilidade, tomada de decisão, comunicação e gestão de situações humanas complexas. No entanto, esta exigência torna-se ainda mais pesada quando existe falta de recursos, pressão constante, pouca escuta institucional e estilos de liderança pouco cuidadores.
A lente que mais me ajudou foi a neurociência do cuidado, porque mostra que a sobrecarga crónica, a insegurança psicológica e a ausência de recuperação afetam a atenção, a regulação emocional e a qualidade da resposta profissional. Cuidar dos outros exige que também existam condições para cuidar de quem cuida.
A micro-ação que proponho é criar momentos breves e regulares de escuta nas equipas, onde se possa identificar carga emocional, dificuldades reais e necessidades prioritárias, sem julgamento ou culpabilização individual.
O indicador de sucesso seria maior segurança psicológica, melhor comunicação na equipa, menor sensação de isolamento e maior capacidade de prestar cuidados com presença, clareza e qualidade.