Sobrecarga Invisível - Trabalho a mais

Sobrecarga Invisível - Trabalho a mais

by Carina Gomes -
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A "Ana", trabalha num escritório com uma equipa de  média dimensão, é competente e frequentemente solicitada pela chefia. Tem múltiplas tarefas simultâneas, prazos apertados e forte componente em comunicação digital (email, plataformas, etc).

Começa a dar sinais de sobrecarga, fica até mais tarde no local de trabalho, demonstra fadiga e irritabilidade, não faz pausas além do almoço e autoculpabiliza-se (podia organizar melhor as sus tarefas, não devia ter falado assim, etc). 


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Re: Sobrecarga Invisível - Trabalho a mais

by Susana Pinto -
A situação da Ana evidencia um cenário típico de sobrecarga laboral, muitas vezes normalizada em contextos profissionais exigentes. Apesar de ser competente e reconhecida pelo chefe, a acumulação de tarefas, prazos apertados, etc. contínua contribuem para um desgaste progressivo. O facto de permanecer mais horas no trabalho e não realizar pausas no trabalho, começa a apresentar sinais de fadiga, irritabilidade isto indica que os limites pessoais e profissionais começam, a ser ultrapassados. A Ana atribuí a si própria a responsabilidade pela a dificuldade em dar resposta a tudo. Esta situação convida à reflexão sobre a importância entre o desempenho e bem-estar, da valorização das pausas como parte do trabalho e do cuidado com a comunicação interna consigo própria e com as suas colegas de equipa ...Cuidar, neste contexto, passa também por reconhecer limites e criar condições sustentáveis para trabalhar bem ao longo do tempo.

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Re: Sobrecarga Invisível - Trabalho a mais

by Fabio Barros -
Excelente reflexão sobre a temática em nossas realidades Carina e Susana!!!
Uma característica deste modelo de sociedade de ultra exploração e cada vez pior distribuição de renda é a culpabilização do indivíduo.
Você tem baixo salário por culpa sua, porque não fala 5 idiomas e não tem 2 doutoramentos, ou você que está cansado e pressionado com excesso de tarefas no seu emprego pois não toma suplementos, não vai ao ginásio todos os dias, não paga netflix e spotify para distrair-se.

81 words

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Re: Sobrecarga Invisível - Trabalho a mais

by Tânia Santos -
Carina e Susana,
Obrigada pelas vossas reflexões. Mostram claramente realidades bem atuais.
É cada vez mais importante estabelecermos os nossos limites pessoais e profissionais, mas também sabermos comunicá-los de forma clara. Mas como fazê-lo se muitas vezes não temos espaço nas nossas vidas para refletir sobre nós próprios, conhecermo-nos melhor e conseguir definir esses limites?
Muitas pessoas também têm receio de estabelecer limites e dizer que não e as consequências que possam advir, o medo de ficar para trás, de desagradar.

Fábio,
Estas atividades e outras são tão importantes para o nosso bem estar. Contudo, muitas vezes como as encaixamos na nossa rotina com as nossas mil tarefas e o cansaço acumulado?

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Re: Sobrecarga Invisível - Trabalho a mais

by Vera Lúcia Campos Correia Amorim -
Tânia, concordo muito com a tua questão, porque definir limites parece simples na teoria, mas é difícil quando já estamos em sobrecarga e sem espaço mental para refletir. Talvez o primeiro passo não seja mudar tudo, mas identificar um limite pequeno e concreto, por exemplo não responder a mensagens não urgentes durante uma tarefa importante ou fazer uma pausa breve antes de aceitar mais uma solicitação. Para mim, esta reflexão mostra que cuidar também passa por aprender a reconhecer os nossos sinais de desgaste antes de chegar ao esgotamento.

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Re: Sobrecarga Invisível - Trabalho a mais

by Vera Lúcia Campos Correia Amorim -
Acho importante normalizar o erro como parte do processo. Quando o erro é vivido como ameaça, a pessoa fecha-se, evita participar e aprende menos. Quando é encarado como informação para melhorar, cria-se um ambiente mais seguro e mais produtivo.
Este tema é muito relevante, porque o esgotamento raramente surge de um único fator. Normalmente resulta da acumulação de pressão, falta de recuperação, excesso de exigência e pouca escuta. Reconhecer estes sinais cedo pode ser uma forma de prevenção e de cuidado.
Concordo com a importância das pausas. Durante muito tempo, as pausas foram vistas como perda de tempo, mas hoje percebo que são necessárias para recuperar atenção, regular o corpo e evitar decisões ou respostas em modo automático. Pausar também é uma forma de trabalhar melhor.
Esta reflexão faz-me pensar no papel das lideranças. Uma equipa sobrecarregada precisa de orientação, escuta e prioridades claras, não apenas de mais pressão. Liderar também deveria significar proteger as condições para que as pessoas consigam trabalhar, aprender e cuidar com qualidade.
Considero este ponto muito importante, porque a aprendizagem e o trabalho em equipa exigem segurança psicológica. Quando existe medo de errar, perguntar ou expor uma dificuldade, a pessoa tende a proteger-se em vez de participar plenamente. Isso reduz a aprendizagem e empobrece o trabalho coletivo.

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