A "Ana" perguntou o que tinha que saber. O "André" nunca pergunta nada

A "Ana" perguntou o que tinha que saber. O "André" nunca pergunta nada

by Jorge de Souto Martins -
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Enquanto pessoas que damos aulas estamos do outro lado das "Anas". Temos discutido muitas vezes com os nossos colegas sobre qual a melhor abordagem (e discordamos bastante entre professores). Temos vindo a experimentar coisas diferentes). 

Pessoalmente sinto conflitos em:

-> Aulas práticas (laboratórios): Aqui queremos que os alunos estejam preparados antemão pois há perigos para eles e para os equipamentos. Na maioria, não vêm preparados..  Devemos aceitar que os alunos perguntem as suas duvidas à vontade? O aluno já devia saber... Acabo sempre por ajudar, pois o meu papel é ensinar, mas sinto que isso possa "recompensar" a falta de preparação e esforço deles. É uma questão em que me sinto dividido. Se a aula tem uma componente de avaliação, deve punir estas perguntas? (Era assim quando fui aluno em várias disciplinas).

-> Nas aulas teórico-práticas estamos a resolver exercícios no quadro. Não queremos só professor a escrever no quadro e os alunos a copiar. Queremos os alunos a vir ao quadro e a (tentar) fazer e explicar (o incentivo é 1 valor nos 20 da disciplina!!). Mesmo assim há relativamente pouca adesão. Porquê? A vergonha é um dos fatores (suponho), não consigo controlar a reação dos colegas, tento assegurar que as duvidas são legitimas e que mesmo o tentar fazer é valorizado. Este modelo de aula pode estar a criar um stress muito grande e a ser contraproducente aos alunos?

Jorge Martins

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In reply to Jorge de Souto Martins

Re: A "Ana" perguntou o que tinha que saber. O "André" nunca pergunta nada

by Vera Lúcia Campos Correia Amorim -
Concordo com esta reflexão, porque mostra bem que esta situação não tem apenas um lado. Por um lado, é legítimo que o professor queira promover a participação, a motivação e a responsabilidade dos alunos. Por outro lado, também é verdade que há alunos que sabem, pensam e acompanham a matéria, mas não conseguem expor-se facilmente perante a turma, por medo de errar, de serem julgados ou de passarem a ser o centro das atenções. Já me revi nesse lugar enquanto aluna, mas também consigo compreender a dificuldade de quem ensina ou forma. Talvez o desafio esteja em criar formas diferentes de participação, que não dependam apenas de falar em público: dar tempo para pensar, permitir respostas escritas ou anónimas, valorizar perguntas, criar pequenos grupos e avaliar também o percurso. Assim, a exigência mantém-se, mas com mais segurança para diferentes perfis de alunos.

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