Enquanto mentora, vejo muitos" Carlos". Vejo alunos que sobrecarregam-se com matéria para deixar os pais felizes.
Alunos que estão sempre pressionados pela expetativa familiar de tirar notas de topo. Os sinais de sobrecarga surgem em olheiras profundas, queixas diárias de enxaquecas, abandono total dos passatempos e momentos frequentes em que a mente simplesmente apaga durante as fichas de avaliação.
Do ponto de vista do cuidado, a rotina ignora as necessidades humanas básicas de descanso, regulação emocional e tempo livre, condicionando o afeto e a segurança dos jovens ao seu rendimento escolar. Do ponto de vista da aprendizagem, o excesso de matéria satura a memória de trabalho e bloqueia a consolidação sináptica: os "Carlos" deixam de refletir criticamente para funcionar como meros repetidores exaustos, gerando o paradoxo em que quanto mais é forçado a produzir, menor se torna a sua real capacidade cognitiva e autonomia.